Transmitido via internet, programa foi visto por centenas de pessoas

Brasília, DF… [ASN] Foi com os olhos voltados para computadores, tablets, smartphones e telões que centenas de surdos de todo o Brasil – e de outros países – acompanharam a segunda edição do Evangelibras. O evento, transmitido via internet de quarta (15) até este sábado (18), buscou não apenas compartilhar mensagens da Bíblia, mas fortalecer ainda mais o compromisso da Igreja Adventista com essa comunidade.

Em relação ao ano anterior, quando o programa foi realizado pela primeira vez, o número de conexões mais que triplicou, comemora o pastor Edison Choque, diretor dos Ministérios Especiais da Igreja Adventista para oito países sul-americanos e organizador do Evangelibras.

A transmissão deste ano, que aconteceu tanto pelo Facebook quanto pelo Youtube, proporcionou diversos tipos de interação. Os participantes enviaram, por exemplo, perguntas em vídeo, em que, utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras), levaram seus questionamentos para serem respondidos pelo pastor Douglas Silva, que também é surdo e conduziu o estudo da Bíblia durante os últimos dias.

De acordo com Choque, hoje, apenas no Brasil, a Igreja contabiliza aproximadamente 1400 surdos que são membros da denominação. No entanto, a maior parte daqueles que acompanharam o programa não frequentam os templos adventistas. “Há cinco anos nós tínhamos 49 ministérios [locais de surdos adventistas] e hoje temos 170, mas ainda é insuficiente. Nosso desafio é que cada cidade grande, cada região, forme novos intérpretes e multiplique esse sonho”, pontua.

Expansão

Como resultado do Evangelibras, mais de 200 pessoas solicitaram estudos bíblicos. O desafio agora, ressalta Choque, é atender esse grupo. Para isso, já existe um recurso no site Encontre Uma Igreja em que é possível encontrar congregações adventistas que tenham um trabalho ativo com esse público, os quais ajudarão a receber aqueles interessados em aprender mais sobre a Bíblia.

“Quando nós produzimos materiais e colocamos na mão do surdo, ele se sente valorizado, porque alguém, no caso a Igreja Adventista, está preocupado em ensiná-lo na língua materna dele”, destaca Jackeline Mennon, que ao longo dos últimos oito anos tem atuado com o pastor Edison Choque como consultora para o trabalho com os surdos.

“Embora estejamos caminhando timidamente nessa estrada, já temos mais produções voltadas a eles do que muitas denominações que tem feito isso por mais tempo”, reforça Jackeline ao mencionar que há pessoas de outras religiões estudando, por exemplo, a Lição da Escola Sabatina em Libras justamente pela falta de recursos dessa natureza.

O líder do ministério dos surdos no Distrito Federal, Orleans Ribeiro, é uma das pessoas que comemoram essa atenção. “Esse apoio fez com que mais materiais fossem produzidos para a comunidade surda e agora posso fornecer alimento que antes eu não conseguia e as pessoas se sentem felizes por encontrar esse conteúdo. E depois elas querem saber onde podem encontrar uma Igreja Adventista. Hoje temos DVDs, alguns livros, muita coisa dentro do site, e isso faz com que possamos expandir o evangelho de um para o outro em todo o Brasil”, explica através de um intérprete.

Apoio para salvar

Ao investir nesse ministério, a Igreja Adventista tem sonhado com novas propostas e iniciativas para a comunidade, como descreve o pastor Douglas Silva, que hoje trabalha em São Paulo. Uma delas é evangelizar os surdos do Brasil e levar a mensagem de salvação contida na Bíblia até eles. E, claro, criar ministérios em todo o País.

Para que esses avanços aconteçam mais rapidamente, Silva destaca a necessidade de que outros surdos estudem Teologia e tornem-se pastores. “Nós temos mais de nove milhões de surdos no Brasil. Então é importante que você, surdo que está lendo este texto, possa ter interesse em estudar Teologia para que possamos chegar a mais pessoas”, estimula com um sorriso no rosto.

[Equipe ASN, Jefferson Paradello]

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